sexta-feira, 1 de março de 2013

Bancos Brasileiros -Lucros ou Expropriação ?


A tabela abaixo mostra novamente, uma coisa que se repete todos os anos, os ganhos sempre maiores do sistema bancário brasileiro, os dados são para pessoas comuns, difíceis de serem compreendidos  e avaliados, pois fogem da realidade cotidiana.

É preciso ter outras referencias para propiciar um mínimo  de compreensão, por ex: Com o lucro somente  do Banco do Brasil, daria para comprar 2 bancos como o Banrisul, e vários outros bancos menores de uma só vez, o que este banco já vem praticando com frequência. 


Lucro dos Bancos em 2012
/
Itaú Unibanco
2012
R$ 13,594 bilhões
Banco do Brasil
2012
R$ 12,2 bilhões
Bradesco
2012
R$ 11,38 bilhões
Santander
2012
R$ 6,329 bilhões
Caixa
2012
R$ 6,1 bilhões
Banrisul
2012
R$ 818,6 milhões
Banco do Nordeste
2012
R$ 508,5 milhões
http://www.feebpr.org.br/lucroban.htm


Bancos como o B.B., se transformaram em verdadeiros buracos negros econômicos, engolindo concorrentes menores e com isto ficando cada vez mais poderosos. Não se vê ou ouve nos meios de comunicação, noticias e ou comentários sobre os balanços destes bancos, quando isto acontece, é apenas uma leve nota de fundo, sobre um ou outro balanço trimestral, e só, não merecendo a menor consideração dos “analistas" econômicos de plantão.

No Brasil, os bancos têm  o poder para fazerem as próprias regras, essas assumem características de leis, geradas no útero do seu sindicato, a FEBRABAN, com o olhar complacente de nossas autoridades.

A FEBRABAN, cuida  para que o grande cartel continue fixando tarifas absurdas e imorais, e as empurre  goela abaixo dos  usuários e correntistas,  além de seguros e cestas básicas de  serviços, serviços estes que  são intrínsecos  de quem tem  conta num banco, como se  não bastassem  taxas e juros abusivos.

A tão propalada concorrência ou economia de mercado, que deveria favorecer o cliente, foi jogada no lixo por não servir aos propósitos das grandes redes, que determinam preços uniformes em todo o Brasil, e pela falta  de interesse dos governos  em fiscalizar e domar este cavalo selvagem chamado “Mercado”.

Governos  amordaçaram-se, ataram-se as mãos e se prostraram de joelhos, ante o todo poderoso “Mercado” e aos “Contratos”, que não podem ser mudados, são, intocáveis, sob argumento de se criar insegurança jurídica que espantaria  o capital estrangeiro.

Faz se necessária uma mudança de paradigma do sistema financeiro e bancário brasileiro, urge uma revisão e definição de regras republicanas, que torne as relações com os cidadãos, mais respeitosas e decentes;  O que antes era algo que servia apenas aos que tinham muito dinheiro e não podiam correr riscos de roubos ou perdas, foi transformado em um sistema imprescindível a toda a sociedade.

 O uso do sistema bancário é hoje compulsório para todos, não se tem mais a opção de escolha, todos estão submetidos e  cativos deste monstrengo; Assim, ele deve ser enquadrado, como serviço de utilidade pública que é,  imprescindível, e como tal, deveria ser vigiado muito de perto pelo Estado, para cumprir seu propósito neste sentido.

Não se faz a apologia nem da estatização, nem que esta  atividade se torne impraticável por dar prejuízos, não, apenas  defende-se uma racionalização dos lucros, como algo plausível,  tendo normas de respeito e de decência, numa relação hoje marcada pela truculência, autoritarismo e insensibilidade  dos bancos no Brasil.

A rentabilidade dos bancos brasileiro, é de dar água na "boca" dos bancos estrangeiros, cuja taxa de retorno é em média, a metade das conseguidas aqui, onde bancos com ativos muito menores,  conseguem lucros igual ou maiores que os de lá, portanto nem é preciso ser economista para entender que a coisa por aqui anda de vento em popa, ou de rédea solta, logicamente para os bancos e banqueiros.

O governo da presidenta Dilma, deu um passo certo quando acionou os bancos públicos, e baixou algumas taxas de juros, fato que mereceu por parte dos “balidores” de plantão as mais duras critica, e notem que ela como maior mandatária do pais, legitimada pelo voto, fez injunções em dois bancos públicos, construídos com dinheiro publico, e mesmo assim o “mercado” torceu o nariz.

Esta medida provou estar correta, pois outros bancos a  acompanharam, para alivio da  população que paga juros; Seria bem vinda igual medida que baixasse substancialmente as tarifas exorbitantes praticadas em toda rede bancária, e o governo pode e deve tomar a iniciativa, pois os lucros apresentados justificam plenamente.

O mercado brasileiro, seja de qual seguimento for, se mostrou incapaz de se autorregular, por que isto dá lucro, e muito, e se algo dá errado  e o prejuízo aflora, ai, o todo poderoso mercado joga no colo do governo para pagar a conta, ai é legitima e necessária a intervenção do Estado.

Este é o capitalismo moderno e sem risco, onde o Estado deve fazer os investimentos, entregar para o mercado,  fechar os olhos, cruzar o braços e deixar a população a mercê do "mercado", que somente visa lucros sempre maiores  e perenes.

Quando um país quebra, como está ocorrendo na Europa, e já ocorrido nas Américas, o povo é chamado para pagar a conta, não se ouve uma só pergunta como esta - :“Para onde foi a riqueza que até então estava aqui?”

Poderíamos talvez ouvir - Está nos Bancos,  na Suíça ou em Cayman, logicamente.


Vamos ver até onde  conseguem cavar este fosso, e depois, como e quem irá tapá-lo.

Alguma dúvida?- Com a palavra, Grécia e Espanha !

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